Sempre nos perguntamos: o que fazemos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? Perguntas piegas, cliché, mas que vira e mexe estão em nossas mentes em algum determinado momento de nossas vidas. Vidas que podem ser diferentes ou iguais, mas com intencidades e objetivos que nos diferenciam uns dos outros. Todos os dias pessoas nascem e pessoas morrem. Algumas se reinventam, outras se destroem, se matam! Matam! Disctuir vida é algo complexo, chato e não leva a lugar algum… Quando pensamos na vida, ou dicutimos sobre a vida, penso eu, é porque chegamos em um ponto de estagnação. Nada vai para frente ou para trás… Então, o que fazer? O que podemos fazer para mudar?
Não temos dom de prever futuro e a razão é bem simples: porque o futuro quem escreve é você! Logo, pensando assim, imagino minha vida como um livro de páginas em branco, que vou preenchendo a cada dia. O problema, é que todo escritor precisa de uma inspiração. E quando essa inspiração não vem, o resultado é a estagnação. O branco! A dúvida! Que linha seguir? Sim, porque toda escolha resulta em uma renuncia, é a causa e a consequencia. Isso é a lei da física e é também a lei da vida. É você quem decide se sua vida será louca, séria, chata, morta… É você o escritor, o diretor, o fotografo, o câmera do filme que será sua vida. A escolha dos seus amigos, a escolha dos seus parceiros… A vida pode ser tudo, como também pode não ser nada… Só uma coisa que podemos ter certeza disso tudo é: o que passou, passou! Não volta! E, todos os dias que você acorda, é uma página em branco que você vai escrever… As vezes você pode escrever do jeito mais planejado possível com começo meio e fim, ou deliberadamente, sem nexo, sem contexto, sem ritmo, sem nada…
Comigo? No momento posso dizer que ando estagnado… Branco! Não sei como, nem que linha seguir nos próximos capítulos da minha história… Mas estou buscando minha inspiração! As vezes tenho certeza de ela vem e me ilumina, mas se apaga como uma chama de uma vela, rapido, deixando só aquela fumaça… E, as vezes, é dessa fumaça que pode sair mais uma faísca e a vela se acender de novo…
23 novembro 2010
A vida(?)
12 novembro 2010
11 novembro 2010
06 novembro 2010
Notícias do dia
- O dia começou bem a notícia e confirmação do Sr. José Sarney, de que a discussão da recriação da CPMF estará no congresso. Primeira medida da presidenta eleita Dilma! Só tenho que parabenizar…
- Essa é do ano! Um jovem usa uma máscara de idoso, passa pela seguranã de uma erporto, embarca e só é descoberto porque vacilou ao tirar a máscara no avião! Foi esperto, mas cagou no pau!
- Outro avião da Qantas fez um pouso forçado em Cingapura… Apenas 1 dia depois de outro avião da mesma companhia sofrer uma pane e ser obrigado a fazer um pouso de emergência. Diferença que um era Air Bus e outro um Boeing. Problema de quem????
- Lula diz que Brasil vive momento mágico… É para rir??? O IDH mostrou que estamos atrás do México, Uruguai, Argentina, por causa de educação!! Acho que o momento mágico deve ter sido na conta bancária dele e da familia que em 8 anos teve crescimento que o país não teve nem passando perto!
05 novembro 2010
Capitulo 4
Capítulo 4 – O contato de um anjo
Renata se levanta, se sentindo tonta e cai sentada no sofá. Enxerga Daniel com a vista embaçada. Não entendia nada do que estava acontecendo ali.
-- Onde está aquela mulher?... A colega do Fabrício? – perguntou ela esfregando os olhos na tentativa de melhorar sua visão.
-- Aquela mulher... – disse Daniel se sentando ao lado de Renata e segurando em suas mãos. – Ela é uma criatura enviada do inferno.
-- Como é?
Ela sentiu suas mãos aquecerem e, como mágica, aquela sensação de ressaca foi desaparecendo.
-- A mãe de Fabrício lhe mostrou um diário, não foi? Onde ele teria feito um pacto... Um pacto com o demônio.
Confusa, Renata olha fixamente para os olhos de Daniel e balança a cabeça afirmativamente.
-- Pois bem... Aquele pacto aconteceu. Fabrício, o seu namorado, fez um pacto com o diabo.
Num salto, ela se levanta, assustada.
-- Que conversa é essa? Quem é você? Esse papo de pacto com o diabo não existe!
-- Tanto existe que seu namorado o aceitou. Mas você está certa... Os pactos como demônio não são como muitos dizem por aí... Não existem rituais, invocações ou qualquer coisa do tipo. É ele, o demônio que vem procurar para o pacto. Afinal, ninguém faz um pacto assim, com quem não conhece. Mas Fabrício era um ser interessante para eles. Tê-lo do lado deles era algo vantajoso.
Renata andava de um lado para outro, sem entender, ou não querendo entender o que estava ouvindo. Daniel continuou:
-- Fabrício foi tomado de corpo e alma pelo inferno e terá uma missão que irá mudar a história da humanidade. Isso pode começar daqui a pouco ou demorar dias, meses ou anos, até... Mas ele está condenado a servir Lúcifer.
-- Isso é ridículo! Isso é ridículo!
-- Eu sei que pode parecer difícil para você... Não é algo fácil que qualquer pessoa possa entender logo de primeira. Ainda mais vindo de alguém que você nunca viu ou ouviu falar. Mas eu quero que você me escute, pois precisaremos muito, mas muito mesmo da sua ajuda.
-- “Precisaremos”? Quem são “vocês” que precisam tanto da minha ajuda? E em que raios eu posso ajudar?
As íris dos olhos de Daniel mudam para uma cor brilhante, como se duas pedras de diamantes ali estivessem. Ele se levanta. Olha para bem fundo dos olhos de Renata e diz:
-- Eu sou um anjo enviado por Deus... E Ele é Quem pede por sua ajuda. – concluiu ele revelando enormes asas brancas que quase tomaram conta da sala onde estavam. Renata caiu no chão de susto.
-- Como... Como é possível? – indagou ela não acreditando no que estava vendo.
-- Acredita agora? Você vai me ouvir?
Ela cai aos prantos. Daniel a ajuda se levantas, esconde suas asas, e a senta no sofá novamente. Ele espera por alguns instantes, até que Renata se acalme, segurando em suas mãos. Respirando fundo, ela vai se acalmando.
-- Renata, não é algo fácil de se falar. Sei que você tem suas dúvidas quanto existência ou não de um Deus. Da existência ou não de um inferno. Mas a verdade é esta que estou lhe mostrando agora. Quando Deus criou a o universo incluindo este planeta, viu que precisava de ajudantes. Pois seu plano era povoar todos ou alguns planetas com seres à Sua imagem e semelhança. Foi então que ele criou o primeiro anjo: Lúcifer. Não demorou muito para que outros anjos fossem criados por Ele. Então, Deus reuniu seus anjos informando que sua maior criação estaria por vir: o Homem. Lúcifer foi o primeiro a se levantar contra. Achava um absurdo colocar criaturas que fosse capaz de aprender por si só, criar e ter o poder do livre arbítrio. Deus argumentou, mostrando suas razões, mas Lúcifer, o primeiro anjo, como também era conhecido, não aceitou. Virou as costas para seu Pai dizendo que iria provar que um dia sua criação iria se voltar contra seu criador. O primeiro anjo não estava se dando conta que era uma criação de Deus e que estava se voltando contra ele. Então, pouco tempo para que a maior criação de Deus começasse a tomar conta da Terra, Lúcifer tentou um motim. Conseguiu convencer alguns anjos de que a idéia de Deus era insana. O primeiro anjo, junto com mais alguns outros anjos foram enfrentar Deus que perguntara se todos estavam de acordo com Lúcifer. Somente um, realmente se disse a favor: Baltazar. Os outros anjos voltaram-se para o lado do Pai. Lúcifer e Baltazar ali ficaram. Então, Deus lhes disse: “Se não está do meu lado, meu filho, estará contra mim. Terá seu reino, o reino da discórdia, o reino da desordem e governará a seu modo. Mas nunca poderá pisar na Terra. Lá será o meu reino e lá será proibido de pisar. Enquanto o sangue do meu filho ali correr!”. Então, Lúcifer e Baltazar caíram do céu e foram ao inferno. Deus começou a sua criação e os homens foram surgindo, evoluindo. Baltazar virou um soldado fiel de Lúcifer, e ficou encarregado de colocar a desordem e discórdia na Terra. Durante anos, guerras e mortes marcaram gerações. Lúcifer queria mostrar a Deus que sua criação era um erro. Então, Deus mandou Seu filho. Seu filho com um ser humano: Jesus. Jesus teria como missão, manter seu sangue, que era o sangue Dele, perpétuo na Terra. Assim ele se casou com Madalena, e por gerações, os filhos dos filhos dos filhos do filho de Jesus se propagaram. Mas com o tempo, novas evoluções essa geração está se findando. E hoje existe apenas uma descendente do sangue de Deus na Terra. E é ela, essa pessoa, que seu namorado terá como missão. Como Lúcifer não poderá pisar aqui enquanto o sangue de Deus estiver presente, ele irá usar alguém daqui para isso. Um homem. E à este homem será dado todos os poderes que Lúcifer possui. E não será difícil para Fabrício aprender a dominar e, pior, gostar de ter esses poderes nas mãos. Quando você reencontrar seu namorado, Renata, ele não será mais aquele que você conheceu. Fabrício será agora um soldado do inferno.
Renata abaixa a cabeça inconformada com o que ouvira.
-- A mulher que se apresentou para você como “colega” de Fabrício e, de fato é, é na verdade Baltazar. Mesmo com a proibição, Lúcifer conseguiu uma espécie de acordo com Deus. Mandaria Baltazar à Terra, com poderes limitados, para provar à Ele que o ser humano é fraco.
-- E como Deus pode permitir uma coisa dessa?
-- O livre arbítrio foi dado pois nada existe em um lado só. É necessário existir o equilíbrio. Se existe o bem, existe o mal. Se existe o branco, existe o preto. Se há o positivo, tem que ter o negativo. Lúcifer não foi criado simplesmente. Lúcifer é o oposto Dele. A Terra é a principal criação de Deus, pois é aqui onde todas as almas irão aprender, reaprender e evoluir. É aqui, onde todas as almas terão uma evolução. É aqui onde você está aprendendo a ser uma criatura de Deus. A Terra, Renata, é uma escola. O corpo que você sente é só matéria. É a sua alma quem está aprendendo e evoluindo diariamente. Mas algumas almas decidem caminhos diferentes. E você por ter tido uma relação com Fabrício, poderá ser uma peça chave para poder salvar essa pessoa e toda as almas que habitam este planeta.
Renata se levanta novamente. Vai até a janela. Está absorvendo todas as informações que lhe foram passadas.
-- Eu ainda não estou acreditando... É muita coisa! Isso é loucura!
-- Um dia, as coisas serão perfeitas. Mas não aqui... Não neste planeta. Pois aqui, como lhe disse, é um lugar de aprendizado. Aqui o ser humano aprende. Quando sua alma estiver pronta, ela parte para outro nível. Outro planeta.
-- Outro planeta?
-- Sim... Outro planeta. O universo é imenso. Você acha que Deus iria dar vida somente a este pequeno grão de areia?
-- Eu não sei... Nunca tive provas até hoje de que Deus existia... Agora você está me falando todas essas coisas... Minha cabeça parece que vai explodir.
-- As provas estão aí. Mas ninguém percebe. Somos todos, e nisso eu me incluo também, conectados à Ele. Somos uma só energia. O homem acha que pode ser Deus... Mas para chegar ao nível Dele, sua evolução dependerá de muitas provas. Pense como uma escola. Quando você estuda, você não faz testes para saber o que aprendeu? O que absorveu do que os professores te ensinaram?
-- Sim... Mas é completamente diferente...
-- Você pensa que é diferente... Mas é tudo uma simulação do que é a vida. A vida nada mais é do que um estágio da sua alma. É aqui que tudo começa. Mas não é aqui que tudo irá terminar. Mas para isso, essa escola precisa continuar funcionando. E da forma como está. Se Lúcifer tomar conta, todos os esforços e trabalhos que Deus empregou terá sido em vão.
-- E o que você me diz dos desastres, das mortes, dos sofrimentos?
-- Preciso dizer?
-- Está certo, parte do aprendizado... Parte da evolução... Ok, como uma escola... Se eu não passar no teste, repito de ano, é mais ou menos isso que você está me falando?
-- É exatamente isso. Alma, energia... Se sua alma não evolui, ela volta. E voltará quantas vezes for necessária até que você tenha a evolução para viver um novo estágio em um outro lugar. Um outro planeta.
-- Eu preciso fumar!
Daniel tira do bolso um maço de cigarro e um isqueiro.
-- Isso não seria pecado?
-- Pecado? Por que um pecado?
-- Não sei... Fala-se que fumar é pecado, transar é pecado... Ops... desculpe!
-- Não tem problema... Sei o que quer dizer... Mas pecado! Essa é uma palavra engraçada para mim.
-- Engraçada por quê?
-- Engraçado porque, em nome de Deus, o ser humano criou regras... Regras essas que, por um lado é bom... Limita o ser humano e o discerne do que é certo e do que é errado. Ordena essa sociedade que vocês vivem. Mas, até então, Deus nunca disse o que é certo e o que é errado. Se ele deu o livre arbítrio, porque diria para fazer isso ou aquilo?
-- Foi o que já me perguntei.
-- Pois bem... Não existe uma sociedade sem regras, isso é verdade, mas algumas são deturpadas e se atribui à Ele.
-- E a Bíblia?
Daniel sorri.
-- São seus livros de regras... O ser humano gosta de contar histórias. Contar experiências. Contar fatos. Graças ao repasse de informações é que o ser humano evolui e aprende. A Bíblia é um livro de histórias. Mas vocês acharam por bem tomar como um livro de código de conduta. Deus não julga se estão fazendo certo ou errado seguindo um livro como uma regra, vocês podem fazer o que quiserem. Mas, claro, ele não concorda com algumas coisas... Algumas histórias são mudadas, outras são “descaradamente” inventadas. Mas, faz parte do aprendizado de vocês.
Renata está quase terminando seu cigarro. Está mais confiante. Mais segura.
-- Está bem... E o que eu devo fazer? Como vou ajudar?
-- Precisamos que você encontre essa pessoa. A última pessoa que carrega o sangue de Deus. O sangue de Cristo.
-- E como vou fazer isso?
-- Eu vou te ajudar, claro.
-- E o que devo fazer com essa pessoa? Dizer que ela corre perigo... Se esconder?
-- Não é tão simples. Primeiro porque essa pessoa é uma mulher... E uma mulher que vive em condições não apropriadas. Segundo, ela precisa sobreviver e gerar vida para que o sangue Dele continue na Terra.
-- Mas como vou fazer isso? Não tenho nem idéia? Por que não faz com ela o que fez comigo?
-- Você vai saber o porquê...
23 outubro 2010
3o.Capítulo do Livro - Atentendo a pedidos
Capítulo 3 – A Busca e a descoberta
Renata acordou de um salto. Olhou no relógio, ainda enxergando embaçado e viu, com dificuldade, uma e sete da manhã. Ela se senta na cama, esfregando os olhos e ajeitando seus cabelos longos, passando um pouco da altura dos ombros e bem cuidados, tingidos de loiro impecavelmente mês a mês. A namorada de Fabrício, que não tinha noção do que acontecera com ela, olha de um lado para outro em busca do seu celular. Repara que ele está bem perto dela e o pega para saber o que está acontecendo. O telefone chama várias vezes até cair na caixa postal. Renata se levanta, ainda tonta e vai até o banheiro. Ela joga uma água no rosto e liga novamente. De novo, caixa postal após vários toques. Preocupada, ela decide ligar para sogra.
Dona Gabriela, mãe de Fabrício, é uma mulher de personalidade forte. Já com idade por volta dos sessenta anos, que ela não falava para ninguém, ela dividia seu tempo que tinha como aposentada traduzindo livros. Para se distrair, Gabriela gostava de sair com as amigas, jogar cartas e beber um bom vinho. Mas, coincidentemente, ela não dormira aquela noite. Estava inquieta. E, quando o telefone tocou, ela estava na sala, com um caderno na mão olhando para o nada e fumando um cigarro. Cigarro esse que ela acendeu depois de dez anos depois de ter parado. Ao primeiro toque do telefone seu coração gelou. Ela passou as mãos em seus cabelos curtos, mas volumosos, acobreado que ela também fazia questão de tingir a cada quinze dias, levantou-se e foi até o aparelho.
-- Alô? – disse ela temendo, mas tentando manter a calma.
-- Dona Gabriela, aqui é a Renata, tudo bem? Desculpe o adiantado da hora, mas estou preocupada...
-- O que aconteceu? – perguntou Gabriela se sentando no sofá.
-- Não sei exatamente, mas não consigo achar Fabrício. Marcamos uma viagem hoje, mas até agora ele não apareceu, não ligou, não respondeu minhas mensagens e também não atende o telefone.
Gabriela olhou para o caderno que, agora, estava em cima do sofá.
-- Quando foi a última vez que você falou com ele?
-- Trocamos uma mensagem de manhã... Foi tudo. Já tentei ligar no escritório dele também, mas ninguém atende.
Gabriela suspira no telefone.
-- Você já tentou com algum dos amigos?
-- Ainda não... Meu primeiro impulso foi ligar para a senhora.
-- Filha, faz o seguinte... Tenta falar com um dos amigos dele... Aí você me liga em seguida...
-- Tudo bem, vou fazer isso...
-- Eu vou tentar ligar daqui.
Mas Gabriela não ligou. Ela simplesmente desligou o telefone e olhou para o caderno, respirando fundo e fechando os olhos, como se estivesse desejando algo. Na verdade ela estava.
Renata pega seu telefone e começa a pensar em quem poderia estar com Fabrício. Pensa por mais um instante e tem uma idéia. Consulta sua agenda e disca. O número chama várias vezes e cai na caixa postal.
-- Mas que merda! – desabafa ela.
Ela tenta novamente. Uma mulher atende, com a voz um pouco abafada.
-- Alô?
-- Alô? Esse telefone é do Victor? – perguntou Renata.
-- Sim... Quem fala?
-- Aqui é a Renata, namorada do Fabrício, amigo dele.
-- Renata? É a Amanda! Aconteceu uma coisa horrível!
Renata sente um frio percorrer sua espinha nesse momento.
Não demorou muito para Renata chegar à casa de Amanda e encontrar viaturas de polícia, ambulância e alguns curiosos aglomerados. Ela passa devagar por eles, avisa para um dos policiais que é amiga da dona da casa e encontra Amanda, enrolada em uma manta, recebendo curativos no rosto, que estava roxo com hematomas e chorando muito.
-- Amanda... O que foi que aconteceu?
Ela conta tudo o que aconteceu. Renata sente um mix de alívio e pavor. Alívio, pois Fabrício não estava envolvido, nem ao menos foi citado. Pavor, por saber tudo o que um homem pode fazer em um momento de fúria. Mas Amanda não contou a história por completo. Ela não mencionou que Victor havia pegado ela com outro. Fato que também não deixaria a história menos assustadora. Pelo contrário.
-- Que história horrível, Amanda! E agora?
-- Os policiais estão olhando pela casa, averiguando não sei o que, e daqui a pouco me levam para o hospital.
-- Você sabe se, antes disso tudo, Fabrício estava com ele?
-- Não sei... Como te disse, ele sumiu o dia inteiro e apareceu com aquela cara... – ela começa a chorar. – Não consigo nem lembrar.
Um homem se aproxima e diz que Amanda já pode acompanhar um dos oficiais.
-- Ok! Amanda, se você precisar de qualquer coisa me liga. Eu iria com você, mas preciso saber onde Fabrício se meteu! Estou preocupada. Eu vou até a casa da mãe dele agora.
-- Sem problemas... Eu entendo... Pode deixar... Qualquer coisa eu te ligo... Mas, se precisar, me ligue também!
Renata pegou o carro e pegou o caminho de volta para São Paulo em direção a casa de sua sogra. No caminho ela liga para Gabriela que atende friamente.
-- Descobriu alguma coisa?
-- Nada... Mas, coincidentemente, algo horrível aconteceu com um de seus melhores amigos. Mas eu lhe conto assim que chegar ai.
-- Está vindo para cá? Ótimo! Tem algo que você precisa ver.
Gabriela abre a porta para Renata, vestindo seu hobby com uma expressão de cansaço e derrotismo no rosto. Elas se abraçam e a mãe de Fabrício pede para que Renata entre.
-- A senhora está sabendo alguma coisa? Não parece tão preocupada como estou... – disse Renata se sentando.
-- Quer um chá? – ofereceu a sogra já lhe servindo uma xícara.
-- Ok... É isso, não é? A senhora sabe alguma coisa!
-- Não, minha filha – começou ela dizendo se sentando no sofá e bebericando um pouco do chá. – Eu não sei... Mas tenho medo do que possa ser. – conclui Gabriela lançando um olhar para o caderno que estava em cima da mesa de centro.
-- O que é isso? – perguntou Renata intrigada.
-- Um diário. Um diário que Fabrício mantinha quando era adolescente.
Renata o pega e começa a passar os olhos sem prestar muita atenção.
-- Eu descobri esse diário, por acaso, quando ele decidiu se mudar daqui. Eu me segurei para não ler, mas algo me dizia para fazer isso... É por isso que estou calma. Intrigada e desejando que não seja o que estou pensando. Mas nessa vida, tudo que você planta, um dia você colhe.
-- Tá, mas não estou entendo... Aonde a senhora quer chegar?
-- Fabrício já falou do pai dele para você?
Renata estranha a pergunta. Para ela, totalmente fora do contexto. Mas, parando para pensar um pouco, percebe que seu namorado nunca havia lhe falado do seu pai.
-- Realmente... Acho que uma vez tentei tocar no assunto... Quer dizer, não só uma vez, mas várias vezes, mas ele sempre mudava de assunto. Por quê?
-- Esse diário... – começou Gabriela repousando a xícara no pires e colocando tudo em cima da mesa de centro. Cruzou as pernas, respirou fundo, ajustou seu hobby e continuou. – Esse diário é uma das coisas mais aterrorizantes que eu já li em toda minha vida. Fabrício relata nesse diário todo o ódio que tinha pelo pai. Realmente, meu marido nunca foi uma flor que se cheire... Ele era um homem detestável. Confesso que já pensei em matá-lo várias vezes. Pensei em pegar Fabrício e sumir... Mas quem sumiu foi ele... Meu marido. Sem vestígios. Sem rastros... Nem uma pista. Chamei a polícia para não ficar com dor na consciência. Preocupada como Fabrício iria reagir um dia quando soubesse que o pai sumiu sem nem dar tchau. O mais estranho é que senti alívio com esse desaparecimento. Mas, ao mesmo tempo, preocupada com meu filho. O tempo foi passando e percebi que Fabrício nunca se quer perguntou do pai. Eu tinha um filho que ficava trancado no quarto, mal falava comigo, nunca o vi sorrindo, nunca o vi trazendo amigos... E, de uma hora para outra, eu tinha outro filho. Sorridente, com amigos... Essa casa nunca foi tão alegre... Depois que aquele bastardo se foi.
Gabriela pára por um instante. Acende um cigarro. Dá uma bela tragada.
-- Faz séculos que não coloco um cigarro na boca. Puta que o pariu, com o perdão da palavra, mas como isso me fazia falta.
-- Dona Gabriela... Desculpe... Estou tentando entender o que isso tudo tem a ver... A senhora acha que o pai de Fabrício voltou?
-- Fabrício escreveu nesse diário toda a raiva que sentia do pai. Dia após dia... Até o dia que ele relata ter feito um pacto. E, coincidentemente, a data desse pacto é o mesmo do dia que o pai dele sumiu. Fabrício teria feito um pacto com o diabo.
-- Oi?! – exclamou Renata. – A senhora acha... – ela cai na gargalhada.
-- Leia as cinco últimas páginas e você vai ver. – disse Gabriela calmamente tragando seu cigarro.
Renata começou a ler. Realmente, a forma como estava escrito aterrorizaria qualquer pessoa. Mas ela não queria acreditar naquilo. Algo estava errado.
-- Dona Gabriela, ele era adolescente... Esse tipo de coisa não existe.
-- Eu sou mãe... Mãe sente... E ele é meu filho único. Como disse, desejo que isso seja tudo loucura da minha cabeça... Mas meu coração... Esse me diz outra coisa.
-- Eu vou até a casa dele... Preciso descobrir alguma coisa... De repente ele está lá dormindo. – disse Renata se levantando e já colocando sua bolsa no ombro.
O apartamento de Fabrício sempre foi imaculado. Limpo, organizado, móveis combinando, sempre no melhor estilo. Renata adorava aquele lugar. E, chegando lá, ela se sentiu como invasora, pela primeira vez, no apartamento do próprio namorado. O apartamento estava escuro. O celular de Fabrício estava na mesa de centro apitando, indicando mensagem ou ligação perdida. Ela pega o aparelho e se assusta com um barulho vindo da cozinha.
-- Quem está aí? Fabrício?!
Quem aparece é Lú, vestida com um tubinho preto, saltos altos da mesma cor, segurando duas taças de vinho.
-- Quem é você? – se assustou Renata, caindo no sofá sentada.
-- Estava esperando você... Prazer, meu nome é Lú.
-- E você é quem?
Lú entrega uma das taças para Renata a recusa. Lú, então, a coloca sobre a mesa de centro.
-- Uma pena você não aceitar. Esse vinho é ótimo.
-- Não quero saber do vinho. O que você sabe do Fabrício. E quem é você, garota?!
-- Meu nome é Lú, como eu disse. Sou uma colega de trabalho do Fabrício.
-- Colega de trabalho? Ele nunca me falou de você? E o que você está fazendo no apartamento dele?
-- Ele me pediu que viesse aqui... Fabrício é um funcionário aplicado. Nosso chefe... – ela parou por um instante para tomar um gole de vinho. - ... pediu para que ele viajasse para fechar um negócio. Ele não tinha como recusar. Mas, o coitado saiu com tanta pressa que esqueceu o celular aqui, não conseguiu te avisar. Então, me pediu que viesse até aqui te esperar.
Renata não estava entendendo nada daquela conversa.
-- Isso é muito estranho. Não tem nexo. Ele podia me ligar seja lá de onde fosse.
-- Onde ele está não tem como ligar. Ele está realmente muito ocupado. O que ele não me disse é que você era tão bonita.
-- Espera aí, você vem até a casa do meu namorado, com esse papo sem pé nem cabeça, fica por aqui dizendo que estava me esperando... O que está acontecendo aqui, hein? Você tem alguma coisa com o pai dele? Vocês são amantes?
Lú sorri sarcasticamente.
-- Como você é tola. Cria tanta coisa nessa cabecinha. Relaxa! Seu namorado está bem... Quanto menos você esperar ele está de volta! Só estou aqui fazendo um favor. Tome seu vinho.
Renata olha para a taça e toma o vinho em um só gole.
-- Que noite é essa, gente?
-- Não tem nada demais... A gente que costuma transformar um probleminha em um problemão. – disse Lú tomando mais um gole de vinho, mantendo os olhos no corpo de Renata. – Quer mais vinho.
-- Ai, quer saber, aceito! Por que esse filho da puta não me falou isso! To aqui morrendo de preocupada! Ai, meu Deus! Pior, ele não sabe o que aconteceu com o amigo dele.
-- O que aconteceu? – perguntou Lú servindo mais vinho.
-- Parece que o cara ficou louco, bateu na mulher, tentou matar ela e depois se matou.
-- Que coisa horrível...
-- Pois é... Até preciso ligar pra ela para saber se está bem.
Renata tentou pegar o celular, mas Lú a impediu gentilmente.
-- Esquece ela, por enquanto. Tente relaxar... Você se estressou demais. Já é tarde.
Renata sentiu algo que nunca sentira. Quando a mão de Lú segurou a sua, ela teve uma sensação de uma carga de eletro choque, leve, porém gostoso, passando por todo seu corpo.
-- Você está muito tensa, Renata. – Lú se pôs atrás de Renata e começou a lhe fazer uma massagem nos ombros. – Fabrício fala muito de você. Ele realmente te ama. Não pense que ele está te traindo... Tudo que ele faz é pensando em você.
-- Sério? – perguntou Renata achando ótima a massagem. – Nossa você tem uma mão boa para massagem.
-- Você não viu nada... – disse sussurrando. – Quer mais vinho?
Renata aceitou, e tomou mais um gole contando a história que ouviu de sua sogra.
-- Sabe, nunca gostei muito da mãe do Fabrício... Sei lá, ela estranha, seca, fria, esquisita. Falei pra ela do sumiço do filho e ela falou como se fosse a coisa mais natural do mundo. – ela toma mais um gole. – E me mostra um diário que Fabrício escreveu quando era um moleque... Tipo, o que tem de importante nisso?
Lu pega sua taça de vinho e se senta na mesa de centro, ficando de frente com Renata.
-- E o que dizia esse diário?
-- Ai... besteiras! Que Fabrício tinha um ódio incrível do pai... E que fez um pacto com o diabo para que ele sumisse. Segundo dona Gabriela, a dona da verdade, a data é o exato dia em que o marido, coincidentemente, pai de Fabrício, sumira... – já se mostrando um pouco mais bêbada do que de costume, Renata continuou a falar. – Eu acho que ela quer me afastar do Fabrício. Ela tem uma adoração pelo filho que nunca vi. Ele gosta dela, claro, afinal é mãe dele... Mas parece que ela tem ciúmes de qualquer um que se aproxime dele. Deve ser porque é filho único, sei lá... Mas nunca fui com a cara dela... Suporto por suportar, pois gosto do filho dela.
-- As sogras sempre são um problema nas nossas vidas... – disse Lu rodando a taça de vinho na mão. – Mas me conte mais... Onde está esse diário?
-- Está com aquela velha. Achei ridículo da parte dela... – Renata boceja. – Nossa, está me dando um sono...
-- Relaxa, minha querida, dorme um pouco, você está cansada.
Renata deita-se no sofá e cai no sono imediatamente.
-- Pela sua preciosa informação, vou te manter viva... Vai que você queira passar para o nosso lado um dia... – disse Lu se transformando em Baltazar.
Ele deixou o apartamento e logo em seguida, um homem aparece na janela olhando para Renata.
Não demorou muito para Baltazar chegar a casa de Gabriela. Ela já estava quase adormecendo quando acordou, assustada, com alguém batendo na porta. A mãe de Fabrício se levanta, coloca o diário de seu filho em cima da mesa de centro, coloca seus óculos e vai até a porta imaginando que fosse Renata.
-- Pois não?
-- Dona Gabriela?
-- Sim... Você quem é?
-- Quero falar sobre seu filho...
-- Sabe alguma coisa dele? – indagou ela sem abrir a porta por inteiro.
-- Sei tudo sobre seu filho... Mas fiquei intrigado sobre um tal diário...
Gabriela notou algo estranho no olhar daquele homem. Para ela, não era um homem comum.
-- Você é um deles, não é?
-- Posso entrar? – perguntou ele já empurrando a porta, não deixando alternativa para Gabriela. Ela se afasta da porta, com os olhos arregalados. – Não precisa ficar tão assustada. Só quero conversar. – concluiu ele fechando a porta e acenando para que Gabriela se sentasse.
Ela obedece com os olhos fixados em Baltazar. Ela nunca imaginou receber um demônio em sua casa.
-- Muito bem... O que sabe do meu filho? O que fizeram com ele?
Baltazar se senta em frente a Gabriela, em uma poltrona verde musgo que ele achou confortável. Cruzou as pernas e notou o diário de Fabrício em cima da mesa.
-- Seu filho está bem... Como a senhora bem sabe... – disse olhando para o diário. - ...Ele está cumprindo a parte dele do trato. Já não posso dizer o mesmo do seu marido... Este sim, posso dizer, está pagando o preço que merece.
-- Como ele está e o que estão fazendo com ele não me interessa... Quero saber do meu filho! Ele sim, é a única coisa que importa!
-- Fabrício está ótimo! Ele vai ter um longo trabalho pela frente, mas tenho certeza que irá desempenhar bem... Na verdade, eu não tenho certeza, mas meu chefe, sabe como é... Não posso contrariá-lo... Se ele acha que um ser humano pode fazer esse trabalho... Mesmo porque, não restou alternativas.
-- Por que não fez você esse trabalhou? Seja lá ele qual for!
-- Existem umas estúpidas regras que temos que seguir... E para esse trabalho que foi designado para o seu filho fazer, somente um ser humano, que tivesse sua alma vendida, poderia fazer. Sabe como é... Toda regra há uma exceção. Sempre há um jeito de se burlar uma lei.
-- Ok, então... E se eu propor fazer esse tal trabalho no lugar do meu filho? Eu faço por ele e vocês o deixam livre!
Baltazar gargalha.
-- Não é tão simples como parece minha cara. Você me parece muito inteligente. Informada. Segura de si. Escolheu sua vidinha e tem vivido do jeito que sempre quis. Mas, mesmo assim ainda reclama, não é mesmo? Por que ser humano é tão insatisfeito? Por que sempre reclamam de tudo, de todos! Eu não entendo vocês.
-- É nossa natureza, eu acho.
-- Vocês são desprezíveis!
-- O que você quer comigo?
-- O diário.
-- Para que?
-- Acho melhor isso ficar com a gente... Vai que isso acabe em mãos erradas e atrapalhe um pouco nossos planos. Não que isso vai ser, mas... só por garantia.
Baltazar pega o diário e começa a folheá-lo.
-- Seu filho parece que gosta de escrever... Escreve bem.
-- É... mas abandonou o ofício quando foi crescendo.
-- Uma pena...
-- Algo mais?
-- Acho que não... – disse Baltazar olhando em volta. – Isso é tudo. Foi mais fácil do que imaginava. Agora tenho outros assuntos a tratar. Obstáculos me irritam, sabe?
Ele se levanta, olha novamente a casa e vai até a porta. Antes de sair ele diz:
-- Tem uma bela casa, dona Gabriela.
Baltazar fecha a porta e desce a pequena escada em frente a casa. Alguns passos à frente e, de repente, a casa voa pelos ares em uma explosão que estilhaçou janelas dos vizinhos e disparou alarmes de dois carros que estavam estacionados em frente à casa.
Pouco tempo depois, ele já estava de volta ao apartamento de Fabrício. Encontra Renata exatamente como ele havia deixado. Dormindo. Baltazar então se transforma em Lú, se aproximando da garota.
-- Acho que mudei de idéia... Não estou nem um pouco afim de ter obstáculos na minha frente... Espere... – ela fareja, como um cão. – Tem alguém além de mim e essa garotinha aqui nesse apartamento. Revele-se! Eu ordeno.
Do quarto sai um homem, alto, cabelos pretos, olhos castanhos. Vestia calça preta, camiseta preta por dentro da calça e sapatos também da mesma cor. Ele olha para Lú e sorri de canto.
-- Olá, Baltazar!
-- Daniel! Não esperava encontrar um anjo nesse apartamento.
-- Por quê? Temos lugares específicos para irmos? Eu não sabia!
--Veio proteger a namoradinha de Fabrício?
-- Você já teve sua cota hoje, Baltazar.
Baltazar toma sua forma original.
-- É que quando começo, não consigo mais parar...
-- Mas eu lhe digo que parou por aqui!
-- Ela vai me dar problemas no futuro... E eu não gosto de obstáculos.
-- Nela você não toca! – disse Daniel com firmeza.
-- Uh! Que medo!
-- Experimenta!
Baltazar olha para Renata. Seus olhos ficam incrivelmente vermelhos. Parece ter sede pelo sangue dela. Quando ele tenta dar um golpe na garota, um escudo de cor azulada se coloca em sua frente a protegendo do ataque e fazendo com que Baltazar fosse lançado para o outro lado da sala.
-- Está mesmo disposto a proteger essa garota? Por quê? O que ela tem de especial? É ela, não é?
-- Vocês nunca irão descobrir quem é... E não, não é a Renata. A protejo porque é meu dever.
Baltazar se levanta. Ajeita seu terno e sua gravata dizendo:
-- Patético! Mas tudo bem! Não vou perder mais meu precioso tempo! Mas em breve nos encontraremos, Daniel! Isso você pode ter certeza!
-- Será um prazer!
Baltazar desaparece.
Daniel se abaixa e toca em Renata que acorda com um suspiro. Ela se senta e se depara com o anjo na sua frente, sem saber quem ele era.
-- Precisamos conversar! – disse Daniel. – Preciso da sua ajuda!
21 outubro 2010
Exemplo a ser seguido
20 outubro 2010
Chegando aos 33
Completei mais de 1 ano de Londres. Definitivamente é um lugar que queria morar para sempre, porém... O porém da história é, viver aqui com visto de estudante ou sendo ilegal é difícil. As leis mudam o tempo todo, e ficar vivendo de trabalho de 20 ou 10 horas semanais é muito pouco. Chega a ser desumano. Então, considerar a volta para o Brasil é algo inevitável. Mas o que fazer lá se voltar? Bom, trabalhar no turismo é algo que não gostaria de fazer de novo... Então, minha idéia seria dar aulas de ingles... Correr atrás dos certificados aqui para ter na mão um trunfo. Mas, também não desconsidero totalmente a volta de trabalhar no trade do turismo.
Tudo tão complicado! Tudo tão tenso as vezes... Será que sou só eu que tenho essas dúvidas?
26 setembro 2010
REPUBLICANDO
A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.
Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, oEstado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.
Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.
Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.
Texto publicado na seção "Notas e Informações" da edição de 26/09/2010
22 setembro 2010
AS DUAS FACES
Ultimamente ando assistindo, ou melhor, re-assistindo a novela Vale Tudo pelo Youtube. Na minha opinião a melhor novela de todos os tempos já produzidas pela Rede Globo. Impecável história com doses de maldade e de bondades na medida certa, mostrando que nem todo mundo é bonzinho o tempo todo ou mal o tempo todo. Os bons têm seus momentos de tentação e fazem suas “maldadezinhas”, assim como os maus, tem seus momentos de fraqueza e mostram seu lado humano.
Brilhante, eu diria, já que retrata perfeitamente o ser humano na vida real. Ninguém no mundo é totalmente bonzinho ou totalmente maldoso. Isso, eu arriscaria dizer, incluindo até os psicopatas.
Todo mundo, aceitando ou não essa realidade, tem duas faces. Todos temos um lado bom ou lado ruim que, dependendo do dia ou da situação simplesmente aflora. É normal você acordar um dia amando a natureza, e no dia seguinte, acordar desejando a morte dos pássaros que te acordaram cantando na sua janela.
Quanto a por em prática seus sentimentos e vontades, isso também varia muito. Tanto para o lado bom como para o lado ruim. Nos seus dias de bom humor, você poderia, por exemplo, fazer uma boa ação, mas dificilmente a gente faz. Nos dias de mau humor, claro que você não vai matar ninguém... Alguns até matam, mas semear uma fofoquinha aqui, uma discórdia ali. E falar mal de alguém então é a melhor coisa do mundo! Vai dizer que você não concorda?
Mas eu não estou falando isso por concordar ou discordar... Na verdade acho bom ter esse equilíbrio dentro da gente, pois sempre passaremos por situações que exigem que mostremos nosso lado bom ou nosso lado ruim.
O fato é que o ser humano tem duas faces sim! Você querendo ou não... O único problema é quando você deixa só um lado dominar sua personalidade e, isso, pode ser prejudicial.
03 setembro 2010
A CULPA É DO DIABO
Falo dessas pessoas que aprontam a vida inteira, fazem filmes pornô, são traficantes, bandidos e etc. e, um dia, acordam e dizem que encontraram Jesus. Hipocrisia? Além disso, atribuem tudo o que fizeram ao diabo.
Quando vejo alguém falando isso, a imagem que vem na minha cabeça é do pobre diabo, sentadinho, quietinho dizendo: eu não estou fazendo nada! To aqui quietinho só esperando a alma de vocês!
Pois é muito fácil você viver uma vida usando drogas, traficando, dando para tudo que é gente, e depois querer resolver tudo falando que encontrou Jesus, em nome de Jesus, por amor à Jesus, confiando Nele, Ele guiará... Blah!!! Balela!! Quem guia sua vida é você, é você quem decide a melhor forma de viver... Mas, para o ser humano é mais fácil achar um argumento.
Ontem, por acaso, acabei assistindo um documentário passado aqui em Londres e gravado nos morros do Rio de Janeiro chamado: Dancing with Devil ( Dançando com o Diabo ). O documentário mostra a vida de um traficante, de um policial e de um pastor de uma igreja evangélica. O traficante, manda matar, manda bater e pede ajuda para que Jesus proteja sua alma. O pastor, ex-traficante por sinal, tenta “evangelizar” os traficantes e seus comparsas. Uns até choram em frente à câmera porque mudaram de vida. A-ham! E o policial, que tem como missão caçar esses traficantes. Uma guerra. Dentro de uma cidade. Em morros que cercam toda uma cidade. E a culpa é de quem, segundo eles? Do diabo, que dança no Rio de Janeiro.
Se a própria Igreja acredita, isso em todas, que Deus nos deu o livre-arbítrio, para a gente decidir o que fazer e como viver nossas vidas, não vai ser de um dia para outro, indo para uma igreja que tudo vai mudar. A ficha está lá. O passado está lá. O que fez, está feito, e não tem volta! Não adianta ir para um igreja no domingo e na segunda agir totalmente diferente. E, depois disso, ainda botar a culpa no diabo. A culpa é sua, só sua!
30 agosto 2010
VOLTANDO
Finalmente novas opções de layout disponíveis!
02 maio 2010
MAIS UM CAPÍTULO
Capítulo 2 – A Salvação de um fraco
Havia dois anos, mas a lua-de-mel parecia não ter acabado entre Victor e Amanda. O perfeito casal, apaixonados, cúmplices. Nada parecia abater a forte estrutura que os mantinham como um verdadeiro casal.
A rotina era sempre a mesma. Todas as manhãs, Victor se levantava, dava um beijo na testa de Amanda que esticava o sono enquanto o marido tomava banho. Os dois tomavam o café da manhã juntos. Ele já pronto para ir trabalhar, ela ainda com o seu roupão, pois entrava mais tarde no trabalho. Eles moravam em uma grande casa em um condomínio fechado nos arredores de São Paulo. Amanda acompanhava o marido até a porta, dava-lhe um beijo de despedida e esperava que ele saísse com o carro acenando mais um “tchau” com a mão.
Victor era uma pessoa séria. Levava tudo o que fazia a sério. No trabalho era respeitado e até temido por alguns de seus colegas. Mas ele nunca precisou levantar a voz para ninguém. Sabia dar ordens, cobrar ou até mesmo dar uma bronca sem alterar seu tom. Sempre comedido. Sua paixão pela esposa era admirada pelos seus colegas de trabalho. Alguns acompanharam a cerimônia que foi emocionante tanto para o casal para quem assistia.
Ao final do expediente, costumava parar em uma padaria com seu colega Olavo, e comer uma coxinha, um pão de queijo e um suco de laranja. Depois de passar esse tempo jogando conversa fora, ele voltava para casa e se dedicava integralmente à sua esposa, Amanda. Ele sempre chegava com uma garrafa de vinho que era degustada durante o jantar que ela sempre preparava. Comiam, bebiam, e terminavam a noite fazendo amor. E no dia seguinte, tudo se repetia.
Amanda é professora em uma pré-escola. Leciona aulas todos os dias das dez da manhã até as cinco da tarde. Por isso ela sempre deixava para se arrumar mais tarde do que Victor que saia sempre bem mais cedo. Mas, ao contrário de Victor, Amanda não se sentia uma mulher completa e feliz. Fazia tudo aquilo para agradar o marido porque tinha virado uma rotina a qual ela não poderia mudar. Ainda mais nos últimos seis meses quando sua rotina havia mudado.
Para Victor, assim que ele saía de casa, Amanda voltava para cama, dormia mais um pouco, levantava uma hora mais tarde, tomava banho e seguia para o trabalho. Não era bem isso o que acontecia nos últimos meses.
De fato, Amanda se despedia de Victor e corria para o quarto. Tomava um banho, se arrumava, usava seu melhor perfume, vestia sua melhor lingerie, arrumava sua cama e esperava ansiosa olhando para o relógio. Exatos trinta minutos passados a campanhia tocava. Amanda corria para a porta e ao abrir, se deparava com um homem alto, grisalho, realmente bonito e elegante. Ela sorria e o puxava para dentro de casa, se certificando antes se alguém estava por perto. Ele era seu vizinho, Arthur. Também casado, com uma filha e dono de um importante cargo em uma empresa de consultoria. Amanda se sentia mulher nos braços de Arthur. Se sentia desejada, amada. Não que Victor também lhe proporcionasse isso, mas era diferente. A sensação era completamente diferente.
O encontro dos dois amantes durava exatos sessenta minutos. Pois ele teria que correr para o escritório e ela teria um longo caminho para seguir até a escola. Mas, Amanda ia sempre trabalhar feliz. E ela nunca dividiu esse segredo com quem quer que seja. Nem mesmo com suas colegas de trabalho, com suas irmãs ou com a sua mãe. O que Amanda não esperava era que tudo isso um dia iria acabar.
Certo dia, todo o tradicional ritual se iniciou. Victor levanta-se, dando um beijo na testa de Amanda, seguindo para o chuveiro, tomando o café da manhã juntos, conversando sobre amenidades e deixando a esposa com um beijo de despedida. Somente um detalhe ficou para trás que iria marcar aquele dia para sempre. Victor havia esquecido seu pendrive em cima da mesa. Nem ele nem Amanda havia notado o esquecimento. Ela correu para tomar seu banho e esperar a chegada de Arthur.
Na estrada para a cidade, Victor está ouvindo uma rádio de músicas calmas, pensando no roteiro que teria que fazer durante o dia. Até que lhe veio a mente o pendrive. “Droga, como posso ter esquecido!”, pensou ele. Mas o próximo retorno seria mais ou menos uns quinze minutos. Ela acelerou para poder chegar mais rápido.
Enquanto isso, Arthur descia do carro, que estacionava um pouco à frente da casa de Amanda e seguia a pé a passos largos. Ele tocava a campanhia como de costume. Ela o puxava para dentro e começaram a se despir logo na sala. Suas roupas foram espalhadas por todo o lugar. Nús, Arthur pegou Amanda em seu colo e a levou para seu quarto a jogando na cama e começando a amá-la como sempre fazia.
Victor conseguiu pegar o retorno e já se adiantou pegando um atalho para encurtar o caminho para sua casa.
O casal de amantes estava ofegante em cima da cama. Arthur por cima de Amanda que dizia seu nome em um sussurro misturado com prazer. Ele suava deixando as gotas de suor cair sobre sua amante.
O marido traído, sem saber do que poderia esperar em sua casa, se aproxima de sua residência, olhando para o relógio preocupado. Ele, enfim, chega, estacionando o carro.
Dentro de casa, Arthur e Amanda estão dentro do banheiro tomando um banho relaxante após se amarem loucamente. Eles não escutam o carro se aproximando nem a porta batendo.
Victor entra na casa e já se depara com roupas espalhadas pelo chão. Ele pára por um instante. Tenta entender o que está havendo. Será que entrou na casa errada? Pensou ele por um instante. Mas a risada inconfundível que vinha do andar de cima da casa era de Amanda. Não tinha como negar. Victor então começa a andar em direção à escada. Passa pelo hobby que Amanda vestia antes dele sair de casa. Um sapato social masculinho, paletó, camisa, roupas que, definitivamente não eram dele. Victor sobe as escadas lentamente. Escuta o chuveiro ligado e o som abafado de Amanda e do homem que estava com ela. O marido traído se aproxima do banheiro e, agora, começa ouvir claramente o que eles diziam:
-- Foi o melhor sexo da minha vida! – dizia Amanda.
-- Mesmo? Melhor do que do Victor?
-- Já falei para não falar dele enquanto estamos juntos...
-- Você não tem medo?
-- Victor é metódico demais... Tem horário para tudo.
-- Não pensa em largá-lo?
-- Para ficar com você? Nem pensar! Victor é um ótimo marido! Amo ele de paixão! Mas me falta algo... E achei em você. Você também é casado, não se esqueça... E tenho certeza de que não largaria sua mulher para ficar comigo.
-- Você é bem confiante, né? Isso que gosto em você.
Eles se beijam.
Victor sente uma pontada no coração. Como se uma faca estivesse o perfurando. Ele se afasta. Desce as escadas. Pega seu pendrive e entra no carro saindo dali o mais rápido possível.
Arthur deixa a casa de Amanda, se certificando de que ninguém o estaria olhando. Ela fecha a porta e começa a se vestir para o trabalho.
Momentos mais tarde, Victor chega em seu escritório. Estava apático. Pálido. Seus olhos estavam sem vida. Era como se sua alma tivesse sido arrancada. Caminhando pelos corredores até sua sala, ele não respondia nenhum dos “bom dia” que seus colegas lhe diziam. Entrou em sua sala, fechou a porta, sentou-se em sua cadeira e lá ficou, atônito. Em sua cabeça passou toda sua vida, desde quando conheceu Amanda, o que o fez apaixonar-se por ela. Como escolheram a casa, como escolheram os móveis. “Sou metódico?! É isso que ela pensa de mim?”. Ele não sabia mais o que pensar. Sua cabeça doía. Ele sentia seu coração pulsar na garganta. O mundo, a vida, tudo que ele havia investido não fazia mais o menor sentido. Seus pensamentos foram interrompidos pela entrada de um de seus colegas. Silvério era o que mais temia Victor dentro daquela empresa. Victor, sabendo disso, não gostava muito dele.
-- O que você quer? – perguntou Victor, ríspido.
-- Estão esperando...
-- Feche a porta e sente-se.
-- Como?
-- É surdo?
Silvério baixou a cabeça, fechou a porta e se sentou, tenso, na frente de Victor que olhava para o nada.
-- Por que esse medo? Por que você tem medo? Por que você me teme?
-- Eu... Eu...
-- Você acha que vai conseguir crescer na vida se passar o tempo todo temendo alguém? Temendo algo?
-- Não... não, senhor...
-- Você é casado?
-- Não... sou noivo.
-- Noivo? – Victor pergunta caindo na gargalhada. – E você tem certeza de que quer se casar?
-- Sim... claro, que eu tenho?
-- Primeira resposta firme que você me dá... Isso quer dizer que você realmente à ama, não é mesmo?
-- Sim... A amo muito.
-- Bom para você.
O celular de Victor toca. No visor aparece o nome de Amanda. Ele sorri e mostra o telefone para Silvério.
-- Sabe quem é que está ligando?
-- Não, senhor... Não sei...
-- A vagabunda da minha mulher.
Silvério arregala os olhos assustado com a linguagem que nunca ouvira Victor falar.
-- Peguei essa puta me traindo! – disse ele alterando, pela primeira vez, seu tom de voz, e jogando o celular contra a parede que se desfaz como papel.
Silvério se encolhe com medo da reação repentina de Victor que suspira, leva a mão a testa e o tranqüiliza:
-- Não precisa se assustar. Só estou... desabafando.
-- Entendo... entendo... – disse Silvério nervoso. Ele sentia todos os nervos do seu corpo tremerem.
-- Me deixe sozinho, vai... Não estou para ninguém...
-- Mas...
-- Não estou para ninguém, Silvério.
-- Sim, senhor.
Ele deixa Victor que gira sua cadeira de um lado para outro. Como se estivesse tentando achar um rumo. Ele se levanta e deixa o escritório sem falar com ninguém.
Já se passava de meia-noite. Amanda está sentada na mesa da cozinha a espera de Victor que não dera nenhum sinal. No escritório, ninguém sabia lhe informar sobre ele. Seu celular somente caixa postal. O jantar já havia esfriado há muito. Ela foi até a porta da frente, olhava para ver se via algo, mas nada. Começou a ficar preocupada. Amanda pega seu celular e liga para Arthur.
-- Eu sei que não devia estar te ligando... Ainda mais essa hora. Mas Victor sumiu. Já é meia-noite e meia e ele ainda não apareceu. Não está no escritório, seu celular só dá caixa-postal... Não, se eu chamar a polícia não irão fazer nada... São quarenta e oito horas para poderem fazer alguma coisa... – ela escuta, enfim o carro parar na garagem. – Ele chegou!... Espero você amanhã... Beijos!
Amanda desliga o celular e corre para a porta. Victor chega com um aspecto terrível. Descabelado, gravata solta e um forte cheiro de uísque.
-- Onde você esteve? Estava preocupada? O que aconteceu com seu celular?
Ele não responde. Apenas entra, joga sua pasta em cima do sofá e respira fundo.
-- O que foi Victor? Aconteceu alguma coisa? Você foi assaltado? Você está bem?
Victor continua sem responder. Ele se senta no sofá e liga a televisão.
-- Victor, que palhaçada é essa? Estou falando com você? Você está bêbado? Drogado? Alguém fez isso com você?
Ela respira fundo.
-- Eu guardei seu prato no forno. – disse ela dando mais uma suspirada e se levanta em direção a cozinha. – Você não quer falar mesmo?
Quando ela se virou, foi surpreendida com um golpe dado por Victor que a fez cair no chão com a boca sangrando.
-- Quanto tempo, hein? – perguntou ele finalmente. – Há quanto tempo você está me traindo sua vagabunda?!
Amanda arregala os olhos, assustada e sentindo dor.
-- Victor... – ela disse com dificuldade.
Ele, então, a puxa pelo cabelo e faz se sentar na cadeira.
-- Me responde, sua vagabunda! Por quê? O que eu fiz de errado!
Ela começa a chorar. Ele se aproxima e lhe dá outro tapa que a faz cair da cadeira. De novo, Victor a levanta a puxando pelos cabelos e a coloca sentada novamente.
-- Victor... Meu amor... Eu....
-- Não me chame de meu amor! – disse ele se sentando na frente dela e tirando uma arma do bolso a colocando em cima da mesa.
Amanda olha assustada para aquela arma.
-- Victor... Victor, o que você... Victor, vamos conversar! Somos adultos...
-- Adultos? – perguntou ele rindo – Você destruiu o meu mundo... Meus sonhos... Eu achei que tinha uma mulher que me amava... Não uma mulher que trepa como o meu vizinho! – ele leva as mãos ao rosto, como se estivesse tentando acordar de um pesadelo. Amanda olha para arma, pensando na hipótese de tentar pegá-la. Mas Victor volta sua atenção para arma e começa a girá-lo em cima da mesa. - Nunca imaginei que pudesse acontecer isso comigo, sabia? Nunca imaginei que pudesse chegar em casa e ver minha mulher agarrada com o meu vizinho! Meu vizinho! – as lágrimas dele corriam pelo rosto. Ela também chorava, mas sentia mais medo pelo que pudesse vir a acontecer. – Tudo que eu sonhei, tudo que eu planejei... Tudo destruído em minutos.
-- Victor... Por favor, Victor! Vamos conversar com calma... Para que essa arma?
-- Cala essa boca! – gritou ele dando-lhe mais um tapa. Dessa vez, ela não caiu no chão. - Eu devia matá-lo também!
-- Também? Victor... O que você está pensando em fazer?!
-- Por quanto tempo você ia levar essa história?
-- Victor...
-- Responde! Fale a verdade pelo menos uma vez, vai?!
-- Eu... eu não sei...
Ele ri.
-- Sabe sim... Claro que você sabe! Você estava acomodada com essa situação. Um marido que ama, e um amante que lhe fodia! Não é isso? Não é isso, sua vadia depravada!
Ela chora.
-- Ele então te dá o melhor sexo da sua vida, não é isso?
-- Você... você?
-- Sim... Eu vi... Estava aqui hoje de manhã e vi os dois no chuveiro.
-- Victor... Me desculpe... Eu não queria....
-- Claro que você não queria... – disse ele pegando a arma e levando o dedo ao gatilho. – Sabe que isso tudo me fez pensar o dia inteiro? Que eu não tenho absolutamente mais nada a perder nessa vida. Mesmo porque, eu não tenho mais vida... Eu não tenho mais nada! Você conseguiu destruir tudo o que eu tinha. – ele aponta a arma para Amanda que tinha o sangue já secando no canto de sua boca e um grande hematoma se formando em volta dos olhos e em torno de seus lábios.
-- Victor... Por favor... Não vá fazer nenhuma besteira. Eu saio de casa... Agora mesmo. Arrumo minhas coisas e vou embora.
-- Simples, não é? E eu? Como eu fico?
Ele se levanta. Aponta a arma para Amanda.
O silêncio da noite no condomínio foi quebrado com um som de um tiro. Menos de um minuto depois outro tiro.
Victor estava sentado na cadeira. Ele tinha respiração ofegante. Estava em estado de choque ao ver o corpo de sua mulher caído no chão.
-- O que eu fiz? O Que eu fiz?! – se perguntava.
Ele nem percebe a aproximação de um homem que coloca a mão em seu ombro fazendo o se assustar. Victor se levanta de salto, tropeça na arma que estava no chão e cai.
-- Quem é você? – perguntou ele.
-- Não se preocupe... Sou um amigo. Vim te ajudar...
-- Me ajudar?
-- Sei que o que fez não foi por querer. Você estava cego... Cego de raiva, de ódio... Cólera! Esse tipo de sentimento nos faz ficar assim. Não vemos nada. Só queremos uma coisa. Vingança.
O homem puxa uma cadeira e se senta. Ele empurra outra e sinaliza para que Victor se sente. O corpo de Amanda continuava ali, no chão. O marido traído se levanta com dificuldade.
-- Sente-se meu rapaz. Quero te ajudar.
Victor se senta e respira fundo.
-- Me ajudar como?
-- Eu preciso de você... Se você vir comigo, vou te explicar tudo. Mas você tem que me prometer uma coisa antes.
De cabeça baixa, desolado, Victor responde:
-- Prometer o que?
-- Você não é mais o Victor de antes...
-- Isso não sou desde essa manhã.
-- Você não vai esquecer de toda sua vida... Seu trabalho, sua mulher, sua casa... Esqueça tudo. Vindo comigo você vai ter um novo propósito. Uma nova vida. Uma nova missão.
-- A polícia daqui a pouco está aqui...
-- Não se preocupe com isso... Concentre-se em mim, agora. No que eu estou te falando. É a sua chance de mostrar que você é mais forte do que você se mostrou aqui. Tudo isso poderia ter sido solucionado de uma outra forma. Mas você preferiu um jeito, digamos, mais difícil. Tenho certeza de que você não quer carregar esse fardo para o resto da sua vida, não é mesmo?
Victor não responde. Está confuso.
-- Então... Está comigo? Como disse, eu preciso de você.
-- Mas eu nem sei quem é você?
-- Está comigo ou não está? – insistiu o homem estendendo a mão para um possível acordo.
Victor olha para a mulher no chão. Olha para o homem e estende a mão.
-- Está bem... Estou com você.
-- Ótimo – disse o homem se levantando e dando a mão para Victor. – Venha comigo.
-- Mas...
-- Não se preocupe. Tudo vai ficar bem.
O homem abre a porta da casa para que Victor saia primeiro.
-- A propósito: Meu nome é Gabriel.
Amanda solta um suspiro e um grito. Ela sente dor. Tenta se levantar. Percebe que seu ombro sangra muito. Ela se apóia na mesa para se levantar. Tenta chegar perto do telefone para chamar a polícia quando se depara com o corpo de Victor estirado no chão com um tiro na cabeça.
28 abril 2010
BRASIL X POLÍTICA X FUTEBOL
Bom, com certeza, começando a Copa, ninguém nem vai lembrar que política existe. Afinal é a chance do Hexa que, tenho por mim que não virá agora... De repente, prefiram deixar o título para a Copa do Brasil... We won't neve know!
Depois, começa a política... A briga entre PT x PSDB...
O Brasil está acomodado com sua situação econômica e financeira, mas esquece que outros problemas estão ai... O tal do bolsa família só serviu para aumentar a procriação de crianças e colocá-las em escolas que os professores mal sabem ensinar. Educação, no Brasil, é algo que se deixa para terceiro plano. A cultura disso tudo fez criar famílias que pensam primeiro em trabalhar, se der tempo, estudar... Sendo que a ordem natural seria o contrário, uma vez que com um base de estudo melhor, você tem um emprego melhor... Mas, no Brasil, quem se importa, não é mesmo? O importante é ter dinheiro no bolso, garantir o frango na mesa e a manicure do fim de semana. Por que mencionei manicure?Preste atenção nas entrevistas feitas com as mulheres que moram em favelas ou choram porque estão em condições precárias... Todas estão de unhas feitas!
O Brasil tem crescido de forma desordenada... E isso gera: FAVELAS! O Rio de Janeiro, que dizem ser lindo, só é lindo em postais. Que porra de lugar que vira cartão postal do Brasil para o mundo, onde você tem a recomendação de não andar com nada a mostra de valor e, principalmente, não confiar em taxistas e andar a noite na praia????? Isso é ser lindo? Isso para mim, é nojento!
Segurança, não existe! Viver em cidades em que você sai de manhã para trabalhar, sem ter a certeza se volta, ou se volta intacto, é revoltante! Não poder sair a noite porque pode ser assaltado. Dirigir sempre olhando os retrovisores para não ser surpreendido por bandidos... Tsc..tsc...tsc... Sem comentários!
Tudo efeito cascata...Efeito dominó! Mas para que se preocupar com educação se o presidente eleito é analfabeto? Agora temos dois candidatos que, na minha opinião é o pior e o menos pior! De um lado, uma pessoa que usou de "táticas" duvidosas durante a ditadura, e justifica de forma heróica seus atos... De outro, um homem sem muito carisma, sem muita segurança do que fala. Se formos analisar friamente, todos são da mesma corja! Mas, na minha opinião, colocar no poder uma pessoa com passado duvidoso e um que pelo menos tem uma experiência política explícita e conhecida para àqueles com memória, eu prefiro o menos pior.
Independente de quem seja, será que algum deles irá acordar e ver que tudo começa na educação? Será que um dia eles irão acordar que o Brasil tem área suficiente para abrigar povos de outros países, mas centralizam tudo em dois polos: São Paulo e Rio? Eu acho que não.... Quem sabe um dia! Ninguém irá questionar isso mesmo se o Brasil for Hexa! E também não irá questionar se não for....
16 abril 2010
PRIMEIRO CAPÍTULO DO MEU LIVRO
Capítulo 1 – A Cobrança
Fabrício acordou aquela manhã se sentindo bem. O dia começou ensolarado, era uma sexta-feira e o fim de semana prometia ser ótimo, pois iria passar junto de sua namorada. Coincidentemente, o celular avisa que chegou uma mensagem. Era de Renata, sua namorada dizendo: “Finalmente, meu amor, um fim de semana para nós! Mal posso esperar! Te amo!”. Fabrício sorri e se levanta da cama num salto. Ele vai até o banheiro e entra de baixo do chuveiro... Estranhamente, se lembra de um fato que ocorreu na sua adolescência.
Depois que seu pai chegou em casa, há 17 anos atrás, arrombando a porta do seu quarto e o mandando sair para procurar emprego, Fabrício tomou uma decisão, iria fazer um pacto. Um pacto com o diabo. Naquela mesma noite, ele saíra de casa, sem rumo. Na época, colocou seu discman no bolso de seu moletom, ouvindo um rock pesado e andou pela cidade. Chegou em uma praça onde os jovens da época se encontravam e se sentou em um banco. Aumentou o volume e pensava em como um pacto com o diabo era feito. Ele não fazia idéia. Uma garota, da mesma idade de Fabrício na época, se aproximou sorrindo para ele e sentou-se ao seu lado. O garoto fechou o rosto e continuou olhando para o nada. Ela puxou o fone do ouvido dele e sussurrou:
-- Eu sei o que você quer e posso te ajudar.
Fabrício então tirou os fones de ouvido e desligou o discman.
-- Do que você está falando?
-- Você quer fazer um pacto, não é? Eu posso te ajudar...
-- Como você sabe disso? Quem é você?
-- Uma amiga... Acredite... Posso te ajudar...
-- Você é maluca! – disse Fabrício se levantando e saindo dali.
-- Você não quer se livrar do seu pai? – perguntou a garota quase gritando.
Fabrício parou na hora.
-- Já não está cansado de ouvir o chamar de vagabundo, de bichinha e de bater na sua mãe todos os dias quando chega bêbado em casa?
Fabrício olhou para trás. A garota já estava bem atrás dele.
-- Como você sabe dessas coisas? – indagou ele.
-- Não é isso que você realmente quer saber... O que você quer mesmo saber é “como”, não é? – Fabrício balançou a cabeça, timidamente, afirmativamente. – Então, vai confiar em mim?
A garota puxou Fabrício de volta para o banco. Foi então que o rapaz olhou para a garota e reparou que ela tinha o rosto pálido, olhos em tons avermelhados, cabelos negros, um batom escuro, combinando com uma forte sombra nos olhos. Suas roupas eram de roqueira, jaqueta de couro, botas até o joelho, saia xadrez e meias que iam até as coxas listradas em branco e preto.
-- Muito bem... Pare de olhar para as minhas coxas e preste atenção no que vou falar. Você quer se livrar do seu pai, não quer? Então eu posso te ajudar! Mas antes, você precisa assinar esse papel. – Ela puxou um papel de sua pequena bolsa. Era como um papiro antigo, escuro amarrado com uma fita vermelha. Ela tirou a fita e desenrolou o papiro.
-- O que é isso?
-- Seu pacto... Assinando isso você terá o pacto que você quer e seu pai irá sumir da sua vida... Lembre-se, nunca mais você vai ouvir ele dizendo que você é vagabundo, estranho, viadinho... E sua mãe, coitada, estará se livrando de levar uma surra todo os dias... Só depende de você.
Fabrício pegou o documento que estava escrito em uma língua totalmente desconhecida. Ele olhou para a garota que respondeu:
-- Não se preocupe... Não é você quem tem que entender... Você só precisa dizer que aceita e assinar.
-- Você tem uma caneta?
A garota tira da pequena bolsa uma pena e entrega para o rapaz. Ele segura na ponta e começa a assinar, ele sentiu a pena espetar seus dedos e viu, ao invés de tinta, sangue saindo da ponta e escrevendo seu nome. Era seu próprio sangue. Estranhamente, mesmo sentindo dor, ele não conseguia mais parar de assinar e, quando terminou, a dor sumiu e ele entregou a pena para a garota junto com o papiro.
-- Ótimo! – disse ela. – O pacto está feito. Não tem mais como voltar atrás...
-- Mas, não vou ter que dar nada em troca?
-- É claro, gatinho! Mas tudo terá sua hora.
Ela se levanta, guarda o documento na bolsa e sai andando.
-- Qual seu nome? – gritou Fabrício.
-- Pode me chamar de... Lu! – respondeu ela saindo com uma enorme gargalhada.
Fabrício, de volta do passado, balança a cabeça e se pergunta: “Por que fui me lembrar disso agora?”, enquanto tomava seu banho para sair para o trabalho.
Ao sair do chuveiro, Fabrício pega sua toalha e começa a se enxugar quando seu celular toca. Ele corre para o quarto, se enrolando na toalha e pega o aparelho. No visor, a chamada não foi identificada. Ele atende. Ninguém responde do outro lado da linha. Fabrício desliga e começa a se vestir. O celular toca novamente. De novo, o número de onde estão ligando não foi identificado e, mais uma vez, ninguém responde do outro lado da linha.
-- Mas que palhaçada a essa hora da manhã!
Momentos depois, Fabrício vai até a garagem do seu prédio e pega seu carro para ir trabalhar. Ele manobra e deixa o local entrando em uma avenida movimentada. Quando ele olha para o retrovisor, se assusta com a figura da garota que ele havia encontrado na adolescência, sentada no banco de trás do seu carro e quase bate o veículo. Ao olhar nada estava ali. “Devo estar ficando louco! Primeiro lembro disso anos depois... Agora estou vendo coisas... Ninguém merece!”. Ao parar no semáforo, vários pedestres começam a atravessar a rua. Entre eles, de novo, a garota, que atravessa calmamente olhando nos olhos de Fabrício que fica apavorado.
-- Isso só pode ser uma brincadeira!
Alguns pedestres entram na frente da garota que desaparece na multidão. O rapaz fica anestesiado. O semáforo abre e ele só se dá conta quando o carro de trás buzina para que ele siga em frente. Então, Fabrício segue seu trajeto até chegar no trabalho. Chegando lá, ele vai até o banheiro molhar o rosto, pois ainda se sentia chocado com o que vira. Ao olhar no espelho, ao invés de ver seu rosto refletido, ele vê suas costas. Assustado, Fabrício dá um salto para trás quebrando o suporte de toalhas preso na parede. Nesse momento, um de seus colegas entra e o vê no chão apavorado.
-- O que foi Fabrício! Aconteceu alguma coisa? – perguntou o colega que ficara assustado com o que vira.
Fabrício olha assustado para o colega e se levanta rapidamente.
-- Não... É que... Esquece! Hoje não acordei num bom dia...
-- Tem certeza... Não quer ajuda?
-- Não... Está tudo bem... Obrigado!
Fabrício sai do banheiro transtornado e segue direto para sua mesa. Ele esfrega os olhos e balança a cabeça na tentativa de acordar de um sonho ou algo semelhante. Olhando para os lados, vê apenas seu colega o olhando preocupado. “Bom, vamos trabalhar!”, pensou ele. Fabrício abre seu programa de emails que começa a processar. Vários emails começam a entrar em sua caixa com o mesmo assunto: “Hora da cobrança!”. Poderia ser um spam, pensou ele, tanto que sua primeira reação foi chamar o suporte para saber o que estava acontecendo com sua caixa de email. Fabrício explica o ocorrido e o rapaz do outro lado da linha avisa que irá bloquear o remetente das mensagens. Mas, as mensagens agora começaram a surgir em seu celular. O aparelho começou a sinalizar dezenas e dezenas de mensagens que não paravam de chegar com o mesmo assunto: “Hora da cobrança!”. Fabrício não pensou duas vezes e desligou o aparelho. Aquilo tudo estava deixando-o enlouquecido. Então, para arejar a cabeça, pegou um cigarro e se dirigiu para área de fumantes do edifício. Respirou fundo. Olhou para o céu que estava azul. Acendeu o cigarro e se sentou tragando lentamente. A sensação era que a fumaça que ele inalava e depois expelia, tirava para fora tudo o que ele sentia de ruim naquele momento. E, aparentemente, parece que funcionou.
Pelo resto do dia, tudo pareceu voltar ao normal. Não tiveram mais mensagens, nem emails, muito menos imagens refletidas ao contrário no espelho. E, assim, Fabrício terminou aquela sexta-feira que, parecera começar do jeito mais louco que ele podia imaginar, de uma maneira mais aliviada. Pelo menos, era o que ele achava.
Ao chegar em casa, Fabrício jogou suas coisas numa cadeira e se jogou no sofá, respirando fundo, tentando esquecer o dia que teve. Um louco dia por sinal. Ele olha para o teto e sente seus olhos ficarem pesados. Cada vez mais pesados até pegar no sono... Então, seu telefone toca. Ele se assusta, acorda num salto e tenta achar o aparelho. Nesse momento, a campanhia do seu apartamento toca. Por um momento, se sentindo tonto ainda, não sabe se atende o telefone ou a porta. Decidiu-se pela porta. Abriu e pediu um momento à procura do aparelho do celular que estava no bolso do seu paletó. Mal tinha reparado que a sua espera estava uma mulher alta, cabelos negros, compridos e lisos, com uma franja que quase lhe cobria os olhos grandes e de tons avermelhados. Sua pele branca como leite, contrastava com as roupas escuras que ela usava. Um vestido preto com um casaco curto por cima e uma bolsa em suas mãos. Ela não entra. Apenas o observa atendendo o telefone. Mas quem estava do outro lado da linha já havia desistido e, assim, ele dá atenção a mulher que o espera.
-- Me desculpe! – disse ele. – Você é quem?
-- Posso entrar? – perguntou ela com uma voz doce que saia de sua boca carnuda com batom estranhamente vermelho.
Sem saber o que fazer e ainda se sentindo desorientado do sono que tivera, Fabrício convida a estranha mulher para entrar. Ela entra, devagar, olhando o apartamento, com passos curtos que soavam a cada toque no chão de carpete de madeira. Ele, a convida para se sentar e oferece algo para beber. A mulher não aceita.
-- Certo... Então, quem é você e o que a traz até aqui?
Ela sorri enigmaticamente, coloca sua bolsa do seu lado, cruza os dedos de uma mão com a outra, inspira e começa a dizer docemente e vagarosamente:
-- Talvez você não se lembre de mim... Mas nos encontramos uma vez no passado.
Fabrício vê toda aquela lembrança tomar conta da sua mente de novo.
-- Isso mesmo... Eu sou aquela garotinha que você está se lembrando... Lembra-se que fizemos um pacto, não é mesmo? Aliás, não “nós”, mas “você”, assinou um pacto.
Ele não sabe o que responder. Se levanta, leva as mãos à cabeça e anda de um lado para outro.
-- Isso é típico... Odeio fazer essa parte da intermediação... Pessoas como você são comuns... Na hora da raiva fazem o que for preciso, mas... Depois... Nunca se lembram, não entendem...
-- Foi há muitos anos atrás... Eu era uma criança!
-- Mas sabia muito bem o que queria... Isso sabia! Acho que desde aquele dia, você não vê seu pai, não é mesmo?
-- Como você sabe?
-- Eu sei muita coisa de você, Fabrício! Afinal, eu fui a, digamos assim, a intermediadora do seu trato. Logo, eu tenho que saber tudo sobre você.
Fabrício começa a ficar apavorado. Anda de um lado para outro, ofegante.
-- Não é possível... Isso não existe... Foi só uma coincidência!
-- Ah, não foi não!
-- E o que você veio fazer aqui? O que quer de mim?
-- Bom, como eu disse, eu sou a intermediadora do negócio. Eu fui enviada para cobrar sua dívida. Lembra-se que te falei... Tudo tem seu preço... Nada vem de graça...
-- Tá, mas isso quer dizer o que? Eu vou morrer? Você vai me matar?
Finalmente ela se levanta e segura Fabrício pelos braços.
-- Acalme-se, bichinha! Você não foi homem para querer que seu pai desaparecesse? Agora terá que ser homem para pagar o que deve! – disse ela em tom ríspido e bem diferente daquela voz doce que iniciara a conversa. Logo depois ela volta ao tom original da conversa. – Eu vim aqui te buscar. Afinal, sua alma foi o preço e nós a queremos... Nós, não... ele, Lúcifer, você já deve ter ouvido falar.
Fabrício se senta, com falta de ar, entrando em desespero. Ela somente olha e sorri sarcasticamente.
-- Tome o tempo que precisar... Eu tenho todo o tempo do mundo.
Fabrício começa a balançar a cabeça negativamente dizendo:
-- Isso não está certo... Não pode estar certo... Você não vai me levar para lugar nenhum! Para lugar nenhum entendeu?! – gritou ele se levantando e apontando o dedo para a cara da mulher.
Ela, calmamente diz:
-- Me chame de Lu... Lembra-se? É uma homenagem ao meu “big boss”. – disse ela sorrindo. – Mas me diga, como você acha que pode evitar isso? – perguntou ela se sentando novamente no sofá, cruzando as pernas e olhando para Fabrício a espera de uma resposta.
Fabrício olha de um lado para outro e corre para a cozinha. Lu apenas revira os olhos esperando uma atitude patética. O rapaz volta segurando uma faca de corte bem afiada levando aos pulsos.
-- Eu me mato antes de você me levar.
Lu cai em uma contagiante gargalhada, se revirando e sentindo dores na barriga de tanto rir.
-- Não seja ridículo. – disse ela rindo novamente – O que eu quero, seu estúpido, é a sua alma, não seu corpo. Vá em frente. Apesar que acho que você não tem coragem para isso... Corte seu pulso! Se mate... Você só vai facilitar as coisas para mim.
Fabrício começa a chorar e solta a faca no chão. Ele se ajoelha.
-- Não era isso o que eu queria pra mim! Não era esse o final que eu imaginava para minha vida.
-- Quem disse que acabou, meu caro. Isso é só o começo. – disse Lu se levantando e se dirigindo ao rapaz. Ela o ajuda a se levantar. - Venha comigo. Eu vou te mostrar o caminho.
Lu o leva até o elevador. A porta se abre e ela o deixa lá dentro.
-- Você não vem? – perguntou ele aterrorizado.
-- A gente ainda vai se ver por aí... – disse ela se transformando em um homem, alto, cabelos grisalhos, penteados para trás, vestindo um terno preto, com gravata e camisa da mesma cor. – Por falar nisso, meu nome é Baltazar, muito prazer!
A porta se fecha no momento que Fabrício tenta sair. As luzes do elevador se apagam. Ele não tem para onde ir, para onde fugir. Ele aperta todos os botões, mas nada adianta. E o elevador começa a despencar e descer numa velocidade cada vez mais rápida. Fabrício grita de pavor e a queda parece nunca ter fim. Ele tenta se segurar e se prepara para o impacto que poderia vir a qualquer instante. Mas, ao invés disso, ele percebe que a velocidade está diminuindo. E, mesmo no escuro, ele percebe uma luz de tom avermelhado que atravessa as frestas da porta. Mas essa luz não dura muito tempo e tudo volta a ficar escuro e, finalmente, o elevador pára. Fabrício consegue ouvir seu coração batendo forte e sua respiração é cada vez mais forte. A porta se abre. Lá fora, não se vê absolutamente nada. O rapaz não sabe se sai ou se fica onde está. Na verdade, ele nem sabe se está vivo ou morto.
-- Tem alguém aí? – ele grita, mas sem nenhum eco de retorno.
Fabrício sente um ar gelado vindo de fora do elevador. Ele cruza os braços na tentativa de se manter quente e se encolhe no canto do elevador. O frio fica cada vez mais intenso, o que o obriga a pensar em sair dali. Mesmo sabendo que seu destino não seria outro. Ele toma coragem, mesmo com o medo tentando dominá-lo. Se levanta. Seus lábios estão roxos e seu nariz escorre por causa do ar gelado. O rapaz coloca a cabeça para fora do elevador na tentativa de ver alguma coisa. Mas não vê nada... Nem mesmo o chão, se é que havia um ali. Fabrício colocou um pé para fora, a procura de chão. Viu que era firme e, aos poucos foi deixando o elevador. Sentiu que o ar ficara mais quente. Mas voltou para o elevador ainda com medo do que poderia encontrar. O ar voltara a ficar mais frio ainda. Sem muita alternativa, ele então, decide sair de vez. A porta do elevador se fecha e agora não tem mais volta. O jeito é caminhar em direção ao que ele nem imaginava.
Passo a passo, tomando todo o cuidado para não esbarrar ou cair em algum buraco, Fabrício caminhava. Seu coração batia acelerado e cada vez mais forte. O medo era tanto que ele não conseguia pensar em mais nada. Somente andar. Certa hora, ele sente alguém ou algo passando ao seu lado. Ele tenta olhar para trás, mas é em vão. Impossível enxergar com tamanha escuridão. O rapaz continua sua caminhada. De novo, ele tem a mesma sensação.
-- Quem está aí? – gritou ele, sem parar de andar.
Ninguém respondeu.
Ele quer andar mais rápido, mas tem medo de cair. Cada passo que ele dá é calculado em sua mente. Pelo menos é o que ele pensava. Então, ele escuta uma risada. Uma risada tímida, como se fosse de uma mulher jovem.
-- Quem está aí? – gritou ele novamente.
Outra vez, nenhuma resposta. Então ele pára por um momento. É quando ele sente que alguém o empurra. O rapaz se apavora e olha para trás novamente mas nada vê. Ele começa a andar mais rápido. Já se esquecendo que poderia cair ou esbarrar em alguma coisa. Outra vez ele tem a sensação de algo passando por ele. Fabrício reduz o passo até que...
Do nada, o rapaz sente uma forte respiração bem próxima do seu ouvido. Ele se esquiva e começa a correr. Joga seus braços para frente na tentativa de não encontrar algo ou alguém. As risadas continuam e aumentam. Como se várias mulheres e crianças rissem ao mesmo tempo dele ou para ele. Sua respiração é ofegante. Medo, pavor, terror tomam conta dele. Ele sente que alguém toca sua perna. Grita de pavor e começa a correr. As risadas continuam. Mais uma vez alguém o toca.
-- Que merda é essa? O que está acontecendo? Para onde estou indo?
Agora ele só tem as risadas como resposta.
Não agüentando mais correr ele pára mais uma vez. E, de novo, alguém o empurra. Ele não anda. Quer recuperar o fôlego. Outro empurrão.
-- Não consigo respirar! Preciso de ar!
Outro empurrão. Fabrício anda alguns passos e pára novamente. As risadas surgem de todos os lados. Ele não sabe mais o que fazer. Então, algo aterrorizante lhe acontece. Alguém ou algo agarra suas pernas fazendo o cair. Ele está deitado no chão quando percebe que estava sendo puxado, pelas pernas, para completar o caminho que ele deveria fazer. Ele tenta resistir, mas é impossível. Não tem onde se segurar. Seja lá o que fosse que estava o segurando era extremamente forte. Ele era arrastado pelo chão como um boneco. A velocidade era tanta que sua camisa quase foi arrancada do seu corpo.
-- Me soltem! Me soltem pelo amor de Deus!
As risadas se intensificaram.
A sensação que ele tinha era que um carro o estava arrastando, mas, ao mesmo tempo, a sensação era de alguém o segurando pelas pernas... Talvez duas pessoas, uma em cada perna.
Depois de mais algum tempo de luta, suas pernas são libertadas. Fabrício não sabe o que fazer. Fica no chão, deitado. Não havia lugar para onde olhar. Ele se senta. Se abraça às suas pernas. Até que ele sente que não estava sozinho. Outra vez. O rapaz sente alguém tocar seu ombro. Ele se assusta e se esquiva. Mas outro toque na cabeça. Até que ele percebe que várias mãos estão em seu corpo e sua roupa é arrancada com tamanha facilidade o deixando completamente nu.
Fabrício volta a abraçar suas próprias pernas novamente. Sentia total pavor e nenhuma idéia do que fazer. Então, algo finalmente acontece. Ele percebe que uma porta, ou uma espécie de porta se abre, revelando uma forte luz brilhante do outro lado. A porta se abre completamente. Ele tenta enxergar mas é impossível. O que ele consegue ver somente é um vulto que se coloca contra luz. Então, todo o lugar onde ele estava é iluminado por uma intensa luz branca. Seus olhos se fecham de imediato, afinal ele estava no escuro. Fabrício tenta abrir aos poucos, até que suas vistas acostumem com a luz. E, aos poucos, ele vai conseguindo enxergar o que tinha ao seu redor. Criaturas, centenas delas a sua volta. Nuas, com os corpos desfigurados, como se tivessem queimados. Não tinham olhos, cabelos ou narizes. Era somente uma enorme boca que salivava algo viscoso e nojento. Todas elas expiravam ar pela boca de forma ofegante, como búfalos bravos. Eles formaram um círculo em volta de Fabrício e estavam em posição de ataque. Só aguardando a instrução de alguém. Esse alguém, só poderia ser o vulto que se encontrava parado em frente a porta e que, finalmente, começara a andar em sua direção.
-- Seja bem-vindo! – soou uma voz alta, grave do homem que se aproximava de Fabrício. – Seja bem-vindo ao inferno! Me deixe sozinho com ele! Agora a nossa conversa é particular! – ordenou ele aos seres que ali estavam que começaram a desaparecer em flash de fogo.
Fabrício, já com os olhos acostumados com a iluminação estranha do lugar, percebe em sua frente um homem alto, por volta de dois metros de altura, esguio, magro, cabelos pretos arrepiados, olhos azuis intenso, vestia-se com um terno preto, sapatos impecavelmente lustrados e uma bengala com a cabeça de um gato de prata na ponta.
-- Quem é você?
-- Não descobriu ainda, meu caro. – disse o homem andando ao redor do rapaz o medindo com os olhos da cabeça aos pés.
-- Deveria?... Por que estou nu? Que lugar é esse?
-- Quantas perguntas... – falou o homem se aproximando bem de Fabrício e o cheirando como se ele fosse um pedaço de bife exposto na vitrine de açougue.
O rapaz não se move, mas sente um terror incrível tomando conta do seu corpo.
-- Eu sou o motivo de você estar aqui agora na minha frente, meu rapaz... E essa é sua grande chance...
-- Chance do que?
O homem começa a passar a mão pelo corpo do rapaz, tocando, passando a mão por sua pele.
-- Você tem um bom físico... Não terá problemas... Vista-se! – ordenou o homem lhe entregando peças de roupa.
O homem se apóia em sua bengala enquanto observa o rapaz se vestir com um sorriso enigmático no rosto. Até que resolve falar:
-- Meu nome é Lúcifer! Mas você já deve ter ouvido me chamarem de outros nomes... Reconhece isto? – perguntou Lúcifer mostrando um pedaço de papiro.
Fabrício tenta enxergar enquanto abotoava a calça.
-- Esse documento você assinou alguns anos atrás, se lembra? Estava de tão saco cheio do seu pai que resolveu fazer um pacto, comigo, claro! Desde então, você não viu mais seu pai, não é mesmo?
Fabrício está abotoando sua camisa agora e apenas balança a cabeça negativamente.
-- Agora chegou a hora de você pagar a dívida...
-- Como?
-- Você será meu instrumento, rapaz!
Fabrício começou a não sentir mais medo. Uma onda de confiança foi lhe tomando conta e, então ele resolveu enfrentar Lúcifer.
-- Instrumento? Sei... E se eu me recusar?
-- Acho que você não entendeu, não é mesmo?
Fabrício veste seu paletó. Agora ele se dava conta que o terno que vestira era de excelente qualidade.
-- Não, não entendi... Afinal ninguém aqui nesse lugar parece falar diretamente... Só por mensagens!
Lúcifer esboça um sorriso no canto da boca.
-- O que foi? Está tomando coragem?
-- De repente estou começando achar isso tudo um circo armado... Ridículo!
-- Eu vou te mostrar uma coisa, meu rapaz! Quer saber como seu pai está?
Fabrício, nesta hora sente um frio lhe correndo a espinha.
-- Meu... pai?
Lúcifer sorri. Gargalha. Anda de um lado para outro rodando sua bengala na mão.
-- É... o seu pai! Aquele que você “pediu” para que fosse dado um fim... Ele está levando um belo castigo pelo que fez com você... Com sua mãe... Enfim... Sua família. Aliás, até hoje ele pergunta porque ele está passando por aquilo. Engraçado, não é mesmo? As pessoas as vezes não se dão conta, ou fingem que não sabem o que está acontecendo nem o porque está acontecendo. Tão típico do ser humano.
Fabrício sente seu estômago embrulhar.
-- O negócio é o seguinte meu rapaz. Ou você faz o que estou lhe ordenando, ou vai terminar como seu pai. Assim! – disse ele apontando sua bengala para parede que se abre como uma enorme vitrine. Nela, a cena que nunca mais sairia da cabeça de Fabrício.
Seu pai estava crucificado e, as mesmas criaturas que o receberam se revezavam para tirar pedaços de sua pele. Outro arrancavam-lhe as unhas dos pés. Outra criatura escalava o corpo para perfurar os olhos. O homem urrava de dor. Mas a medida que os pedaços da pele, as unhas e os olhos eram machucados, imediatamente se regeneravam.
-- E tem sido assim ao longo desses dezessete anos... É isso que você quer para você também? Junto dele? – perguntou Lúcifer dando um sinal com sua bengala, fazendo com que as criaturas se afastassem do homem e deixando que todas as partes do corpo machucados fossem regenerados. – Olha quem veio te visitar!
O pai de Fabrício, exausto olha para frente e vê seu filho que não continha as lágrimas. O homem começou a chorar.
-- Fi... Filho!
-- Aqui está a resposta da pergunta que você vem nos fazendo há anos...
O homem olhou para Fabrício com ar de indagação.
-- Vo... você... Você é o responsável... – sua expressão muda na hora. Um ódio toma conta dele e o faz explodir. – Então foi você, não é seu viadinho?!
Fabrício se espanta e corta o choro imediatamente.
-- Mesmo assim... E não mudou nada!
-- Você acabou com a minha vida, seu ingrato! Eu lhe dei tudo! E você me tirou a vida sem a menor dó!
-- Quer saber... Estou achando pouco! Você deveria pagar muito mais!
-- Como é que é?
Fabrício olha para Lúcifer que já mostra um sorriso largo em seu rosto.
-- Devemos continuar o castigo... Ou você prefere tomar o lugar dele?
-- O que eu tenho que fazer? – perguntou Fabrício se recompondo.
-- Ótimo! Sabia que não iria falhar. – disse Lúcifer acenando novamente com sua bengala e as criaturas retomando o castigo ao pai de Fabrício. As paredes se fecham. Lúcifer conduz Fabrício até a porta por onde ele, Lúcifer, havia entrado.